sábado, 21 de abril de 2012

2012 Português-Literatura e Artes _ Provérbios


A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.Aristóteles
Definição dos Provérbios
s.m. Máxima expressa em poucas palavras e que se tornou popular; rifão, anexim, adágio.—O rifão tem estilo vulgar, às vezes com termos baixos; o anexim, sentencioso, contém ironia ou chiste. O adágio, o rifão e o anexim são chamados pelo povo de ditados. Todas as línguas têm seus provérbios. Com frequência os mesmos provérbios com formas diferentes ocorrem entre muitos povos e cm épocas diferentes. Às vezes, provérbios semelhantes têm a mesma origem. Em outros casos não têm provavelmente nenhuma conexão. A Bíblia contém um livro inteiro de provérbios. Estes provérbios são até hoje de uso comum, especialmente em países de maioria protestante.

    O provérbio é um pensamento, traduzido em uma sentença, muitas vezes expressado como uma advertência, ou até como uma norma que ‘deve’ ser cumprida. Muitos provérbios, entretanto, destacam-se mais pela originalidade de sua forma ou para a maneira como foram construídos, do que para a ideia em si, que encerram.

    O objetivo de um provérbio é transmitir-nos uma verdade, fruto da observação e da experiência, de forma concisa. Em poucas palavras, condensa um pensamento, conselho ou orientação prática, registrando uma significativa quantidade de conhecimento. Talvez por isso, somos todos capazes de citar, de pronto, uma dúzia de provérbios. Sendo sintéticos, os provérbios têm uma espantosa capacidade de migrar de um texto para outro, de uma história para outra, de uma civilização para outra, de uma época para outra época, sem perder sua atualidade e utilidade.
    Seja pela boca do povo, seja pela escrita dos mais eruditos, a grande adaptabilidade a variadas situações, garante a sobrevivência dos provérbios através dos tempos. A maioria dos provérbios mais antigos permanece bem moderna em sua essência, eventualmente apenas carecendo de certa modernização na estrutura ou no vocabulário de que se utilizam. Quase nunca somos capazes de identificar as fontes ou o contexto em que foram criadas. Apesar desta dificuldade de identificação de autoria, ou quem sabe, exatamente por seu caráter de autoria anônima, não deixamos de respeitar o conhecimento que nos trazem os provérbios.
    Sempre imaginamos dominar perfeitamente a aplicabilidade de um provérbio, mas em função de seu sentido não ter sido realmente entendido, muitas nós o aplicamos em situações inadequadas. A má fé, em outros casos, chega a distorcer completamente o sentido de um provérbio, tornando-o um instrumento de manipulação e até de propaganda ideológica.
     O lado positivo, entretanto, de longe o mais significativo, é que o provérbio contém sabedoria para todos e para todas as situações possíveis: para os momentos alegres e tristes, para os felizes e infelizes, para os momentos de angústia e desesperança, de orgulho e de vaidade, de humildade e fortaleza, enfim, para o bem e o mal da vida de cada um. Alguns são otimistas, outros são pessimistas, muitos, porém, ao expor um pensamento pessimista, completam-no com uma esperança. É precisamente esta motivação positiva, de esperança, que move o Projeto , cujo propósito é colaborar na preservação . Cultura acumulada durante milênios, conta de uma maneira especial a própria história da sabedoria humana.


A PERSUASÃO
Persuadir é a tentativa de levar o outro a aceitar determinada questão, assunto, conhecimento, aceitando-a como verdade. Segundo Fiorin (2004:52),
A finalidade última de todo ato de comunicação não é informar, mas persuadir o outro a aceitar o que está sendo comunicado. Por isso o ato de comunicação é um complexo jogo de manipulação com vistas a fazer o enunciatário crer naquilo que se transmite.
Os provérbios possuem importância no contexto social por serem eles mesmos, verdades absolutas de conhecimento universal e trazem ora explícita, ora implícita essa tentativa de persuasão. Os provérbios são invocados como tradição e autoridade, na qual o enunciador não possui voz, fazendo-se omitir diante da opinião geral, contrariando a posição superior e de responsabilidade que exerce junto ao destinatário. O falante não tem a voz, mas passa a autoridade - Característica da propriedade da generalidade, prevista por Ducrot.
Há provérbios que possuem um teor de verdade tão forte, que não há espaço para contestação. A sua argumentação é tão absoluta e precisa que o destinatário não oscilará em aceitar a mensagem, que será recebida sem refutação, devido ao seu caráter convincente.
Vejam-se alguns provérbios que possuem seu caráter inflexível:
(1) Contra a morte não há reza forte.
Por ser a morte, algo inevitável, esse raciocínio não admite ponderações.
(2) De grão em grão a galinha enche o papo.
A economia também é um meio de enriquecimento e, mesmo que seja de pouco em pouco, um dia se consegue o que quer.
(3) A verdade é como o azeite, sempre vem à tona.
A presença das palavras verdade e sempre transmite ao provérbio um caráter rígido e concludente, característica irretocável nos provérbios.
Pode-se observar que as palavras contidas nos provérbios, em sua maioria, possuem sentido conotativo e não-literal. São as chamadas figuras de retórica ou figuras de linguagem, característica importante nos provérbios para despertar interesse no destinatário.
Em alguns provérbios, percebem-se características de caráter variante, todavia, a idéia como é colocada pelo enunciador ratifica apenas uma idéia, mesmo havendo a impressão de mais de uma possibilidade. Esses são, principalmente, os provérbios com operadores argumentativos.
Vejam-se os exemplos:
(4) A língua não é de aço, mas fere.
Com a presença de figuras de linguagem, pode-se ter, no exemplo (4), a conclusão de que, por não ser de aço, a língua não causará estragos, contudo, o conectivo “mas” carrega na segunda oração a verdade imposta pelo enunciador, de que a língua “fere”. De acordo com o livro dos provérbios (Souza, 2001) “As feridas causadas por uma língua maledicente são difíceis de cicatrizar”.
Nos exemplos (5 e 6) abaixo, percebe-se um implícito na primeira asserção de base, o qual é refutado com a presença da contra-expectativa, representada pelo operador argumentativo “mas”.
(5) A justiça tarda, mas não falha.
(6) Deus dá farinha, mas não amassa o pão.
Em (5) há a possibilidade de que a justiça demora a acontecer, todavia, a verdade imposta é a de que ela sempre acontece. Em (6), a contra-expectativa mostra que cada um deve buscar o seu próprio sustento com as oportunidades recebidas. O operador “mas” transporta um argumento mais forte em contradição ao que fora mencionado anteriormente.
Há ainda, provérbios que figuram no caráter emocional e racional do destinatário. Nestes estão associados sentimentos, emoções, cautela, e possuem, também, caráter rígido, devido à imposição atribuída.
(7) Quem ama o perigo nele perecerá.
Essa máxima extraída da Bíblia (Eclesiástico, 3, 27) adverte aos que vivem com audácia, sem medo de correr riscos e, por isso, acabam por encontrar o mal. (Quem o mal procura o mal encontra). Os outros exemplos abaixo também remetem para razão e/ou emoção, mantendo implícito algum valor ou verdade.
(8) Vão-se os amores, ficam as dores.
(9) A paixão cega a razão.
(10) As aparências enganam. (Quem vê cara não vê coração).
A persuasão é presente na argumentação, porque é “o modo de convencer alguém sobre a verdade de certos fatos ou a necessidade de tomar certas atitudes” (Guimarães, 2005: 78).
A argumentação é vista como o dito que não foi dito no acontecimento, um implícito, que será levado à questão do topos.
Para Koch (2003: 64),
Ao usar-se um provérbio, produz-se uma “enunciação-eco” de um número ilimitado de enunciações anteriores do mesmo provérbio, cuja verdade é garantida pelo enunciador genérico, representante da opinião geral, da vox populi, do saber comum da coletividade.

A VOZ DO POVO: A QUESTÃO POLIFÔNICA
Polifonia pode ser entendida como o fenômeno pelo qual, num mesmo discurso, é possível reconhecer várias “vozes”. Esta idéia foi introduzida, nas ciências da linguagem, por Mikhail Bakhtin e desenvolvida ordenadamente por Oswald Ducrot.
O primeiro considera que “a língua é deduzida da necessidade do homem de auto-expressar-se, de objetivar-se. A essência da linguagem nessa ou naquela forma, por esse ou aquele caminho se reduz à criação espiritual do indivíduo” (Bakhtin, 2003: 270).
Para Bakhtin (Apud Koch, 2003: 64), “a palavra é o produto da relação recíproca entre falante e ouvinte, emissor e receptor. Cada palavra expressa o ‘um’ em relação com o outro. O Eu se constrói constituindo o Eu do Outro e por ele é constituído”.
Em ambos os autores, o termo polifonia constitui vozes do eu e do outro no processo do enunciado. Nos provérbios, essa polifonia ocorre de forma especial e menos visível, visto que se trata da ‘voz do povo’, nos quais não há originalidade no discurso.
Segundo Maingueneau (2004: 169), “o enunciador apresenta sua enunciação como uma retomada de inumeráveis enunciações anteriores, as de todos os locutores que já proferiram aquele provérbio”. O provérbio é, portanto, de natureza polifônica, já que seu enunciado fora produzido outrora por distintos enunciadores, conferindo à voz do povo, toda a obrigação e a responsabilidade por proferi-lo.
Ducrot (1987) inicia uma teoria que distingue “sujeito falante”, “locutor” e “enunciador” do enunciado. O sujeito falante se encaixaria no produtor físico do falar, possibilitando criar o enunciado através do processo físico-mental. O locutor seria o responsável pelo ato ilocutório[2], pela enunciação, aquele a quem se deve atribuir a responsabilidade das intenções do que é produzido.
Nos provérbios, o enunciador pode, em seu ato ilocutório, fazer relações de certos elementos lingüísticos às pessoas do discurso, inclusive, fazendo referências na situação comunicativa. O enunciador pode ser também, concomitantemente, o locutor e o sujeito falante.
A presença do pronome QUEM é marca comum nos provérbios, tendo em vista que estes são enunciados cabíveis de referência a qualquer pessoa, a impessoalidade do pronome marca diferentes vozes, conferindo-lhe a questão da polifonia. Atente para análise dos provérbios:
(11) “Quem não arrisca, não petisca”.
(12) “Quem não se comunica, se trumbica”.
(13) “Quem não tem cão, caça com gato”.
(14) “Quem nasceu para forca não morre afogado”.
(15) “Quem vê cara não vê coração”.
Em (11), (12), (13), (14) e (15), se o pronome estiver se referindo ao enunciador, com valor de ‘eu’, sendo o enunciador, também o enunciatário, o discurso é proferido na intenção de avisar, prevenir e até incutir valores pessoais. Já, se o pronome proferido representar o ‘tu’, outro que não seja, ao mesmo tempo enunciador e enunciatário, além de avisar, prevenir e incutir valores morais pode censurar e também ameaçar, caso seja utilizada uma entonação ríspida. Portanto, percebe-se que uma mesma enunciação pode trazer variadas vozes. A primeira avisa e previne, a segunda moraliza e a terceira voz censura e ameaça.

A negação proverbial
A polifonia vista por Ducrot, possui como exemplo de excelência, a negação. Logo, se há uma negativa, subentende-se que há, também, uma afirmativa. Há “vozes” do enunciador (E), que é, para Ducrot, o principal da polifonia, estabelecendo a perspectiva da enunciação. Essas “vozes” E1 e E2 possuem pensamentos com distintos pontos de vista.
Para marcar a negação proverbial, foram selecionados exemplos que apresentam operadores negativos como “não”, “nem”, “ninguém”, “nada”, a fim de se confirmar a hipótese de Ducrot de que “um enunciado traz, na sua significação, duas perspectivas opostas” (Guimarães, 2005: 60).
(16) Águas passadas não movem moinhos.
No exemplo acima, há vozes distintas, a primeira diria “água passada move moinho” e a outra que nega esta perspectiva, sendo esta última correspondente ao responsável pelo provérbio – o locutor (E2). Observa-se outro exemplo:
(17) Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança cai.
Tal provérbio pode ser comparado a outro: “As aparências enganam” e mesmo sendo sedutoras, são ilusórias na maioria das vezes. Há também, nesse provérbio, duas vozes distintas, a que afirma que aquilo que parece é; e a que nega essa afirmação. No exemplo (18) é natural a insatisfação do ser humano em relação ao que lhe fora reservado.
(18) Ninguém está bem com a vida que tem.
Há, no enunciado acima, uma perspectiva que diz “estar bem com a vida que tem” e outra oposta a esta como sendo a posição do locutor. Assim também é o próximo exemplo.
(19) Quem tudo quer, nada tem.
A primeira “voz” (E1) afirma: “Quem tudo quer” – tem tudo. No entanto a outra “voz” nega essa possibilidade – “nada tem”, opondo-se a opinião de E1.
Pode-se verificar, nos enunciados proverbiais negativos mencionados, a presença de uma terceira voz. Além das vozes do enunciador – lugar do qual se enuncia (E1) e do locutor – responsável pela negação (E2), há a voz do sujeito falante outrora citado como produtor físico.
Guimarães (2005: 61) afirma que
A importância da consideração dos enunciadores é crucial, pois são os enunciadores que marcarão a mobilização dos topoi na argumentação. A perspectiva enunciativa é que convoca um topos, e de tal modo que uma mesma forma pode convocar topoi diferentes, segundo as perspectivas constituídas na enunciação de um enunciado
A Semântica da Enunciação apresenta a negação como fator primordial para marcar a polissemia cuja diferença de significado será explicitada pela Semântica Discursiva e pela Pragmática.

A ARGUMENTAÇÃO ESTÁ NA LÍNGUA
Ducrot, precursor da semântica enunciativa, foi o responsável pelo estudo que trata da força argumentativa nos enunciados, denominando-as “operadores argumentativos”. Atribuiu-se aos argumentos um topos (lugar comum argumentativo) que possui três propriedades: a universalidade, a generalidade e a, considerada pelo autor a mais importante, gradualidade a qual implicará ao enunciado formas tópicas.
Nos exemplos (11, 12, 13, 14 e 15) citados no capítulo anterior estão presentes elementos que se sobressaem nos provérbios, relacionando um fato A que se dirige para uma conseqüência B, acompanhados do advérbio de negação que funciona como um operador argumentativo.
Em (11), há negação dupla: “Quem não A, não B”, em (12) e (13), tem-se a estrutura “Quem não A, B”, já em (14) e (15), a negação é inversa: “Quem A, não B”.
Sendo o provérbio uma fala cristalizada, uma verdade universal, a afirmação é fundamentalmente demonstrada na enunciação, podendo permitir um topos argumentativo.

O topos proverbial
Nos exemplos (20), (21), (22) e (23), abaixo relacionados, convivem vozes que representam um topos. Sendo estes, provérbios, já implicam a universalidade e a generalidadecaracterísticas próprias desse tipo de gênero. A primeira característica diz que o topos é universal, pois constitui que “uma comunidade lingüística admite partilhá-lo, uma comunidade à qual pertençam pelo menos aquele que realiza a demarche argumentativa e aquela a quem ela é proposta” (Ducrot, 1987: 24). É o conhecimento de mundo que levará os interlocutores a compartilhar os provérbios.
(20) Uma andorinha só não faz verão.
É apontada, neste exemplo, a importância da coletividade, da ação em grupo, mostrando que a ação isolada não consagra um costume.
(21) Em casa de ferreiro, o espeto é de pau.
Neste exemplo, a universalidade é atribuída, quando os interlocutores interpretam o topos como: as coisas faltam, onde deveria haver em demasia.
A segunda é a característica geral uma vez que “o princípio deve ser reputado válido, além da situação na qual é aplicado, para um grande número de situações análogas” (idem, p. 25).
(22) O que os olhos não vêem, o coração não sente.
(23) Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
(24) Cada um por si, e Deus por todos.
Nos exemplos (22, 23 e 24) acima, os enunciados podem ser produzidos em diversas situações equivalentes. Em (22) é de conhecimento geral que, quando alguém não possui consciência do que está ocorrendo, seja bom, seja ruim, não haverá sentimento. Em (23) qualquer escolha abarca o perigo e em (24) reconhece-se que Deus está ao lado de todos, mas cada um precisa fazer a sua parte.
A gradualidade é a característica “que relaciona duas escalas, duas gradações, entre as quais se estabelece uma correspondência” (idem, p. 26), obtendo-se, a partir da gradualidade a noção de formas tópicas distintas.
O caráter gradual dos enunciados apresenta-se através de escalas de forças graduais. Vejam-se os exemplos:
(25) Quem ama o feio, bonito lhe parece. (A beleza não está nos olhos, mas no coração)
Topos: Aquele que ama não vê a imperfeição. O amor só enxerga o belo.
As formas tópicas respectivas para esse provérbio seriam quanto maior o amor, menos importa a beleza; quanto menor amor, mais importa a beleza.
(26) Quem não tem competência, não se estabelece.
Topos: Aquele que não é competente, não cresce, não conquista louros.
No enunciado (26), as formas tópicas que comprovam o topos argumentativo são: quanto menos competência, menos se posiciona e se compromete e quanto mais competência maior é o posicionamento, o comprometimento.
(27) Quem planta vento colhe tempestade (Oséias, 8, 7).
Topos: Aquele que busca confusão, recebe problemas.
Neste, há uma advertência àqueles que deliberadamente prejudicam os outros. Quanto mais se prejudica alguém, “cultivando vento” (= tumulto, indecisão), mais será prejudicado, “colhendo tempestade” (= problema) e quanto menos prejudicar, menos será prejudicado. Esse provérbio pode ser ratificado com outro de igual intenção: “Cada um colhe conforme semeia”.
(28) Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no vizinho.
(29) Quem tem rabo de palha não se sente junto ao fogo.
Topos: Aquele que possui defeitos, não deve se preocupar com os defeitos dos outros.
Em (28) e (29) as formas tópicas partem de uma repreensão aos que criticam os defeitos alheios sem olhar os próprios defeitos. Quanto mais defeitos alguém possui, menos se deve falar dos defeitos alheios. Quanto menos defeitos, mais se pode falar.
Não só esse tipo de estrutura confere ao provérbio a gradualidade do topos argumentativo. Há construções em provérbios com a presença do morfema “até”, acompanhados ou não de “mesmo” ou “que”, que funcionam como operadores que se orientam para o argumento mais forte, como nos exemplos abaixo:
(30) De graça até (mesmo) injeção na testa.
Topos: O que é de graça, ninguém rejeita.
O ditado popular acima relacionado mostra, particularmente, essa gradualidade, possuindo suas formas tópicas em quanto mais barato produto, melhor, mais as pessoas vão desejá-lo; quanto mais caro, menos as pessoas vão desejá-lo. Se for de graça, melhor ainda. Nesse caso aceita-se qualquer coisa, até mesmo “injeção na testa”. Não há contestação, pois o enunciador está recebendo sem ônus. Este ditado pode ser comprovado com outro provérbio no qual mais uma vez, por ser de graça, não se deve reclamar: “Cavalo dado não se olha os dentes”.
No próximo exemplo, o operador argumentativo “até” vem acompanhado do conectivo “que”, atribuindo-lhes a graduação desejada para marcar o topos.
(31) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Topos: Com a persistência, alcança-se o desejo almejado.
Esse provérbio representa que, com insistência e tenacidade, conquista-se o êxito. Suas formas tópicas são representadas por “quanto maior a persistência, mais rápido se obtém o êxito; quanto menos insistência, menor é o êxito.”
O exemplo (32) apresenta o operador “até” desacompanhado de outros conectivos. Vem significando limite, entretanto possui também formas tópicas: “quanto menos se fala, melhor; quanto mais se fala, pior”.
(32) Bom é saber calar até o tempo de falar.
Topos: Deve-se ter certeza antes de falar.
Platão e Fiorin (1991: 281) também mencionam os conectivos “até”, “mesmo” e “até mesmo” como “elementos de coesão” que “servem para estabelecer gradação entre componentes de uma certa escala”, e ainda acrescentam que estes estão no topo da escala.
Além dos operadores “não” e “até”, existem outros que mantém nos provérbios uma relação de comparação, que deriva uma determinada conclusão. Estes são os que contêm o operador argumentativo “do que” e podem se apresentar em: Antes A do que B; É melhor A do que B; Mais A do que B; como se apresentam nos exemplos abaixo:
(33) Antes tarde do que nunca.
Topos: Não se devem perder as esperanças.
(34) Antes perder um amigo (do) que uma boa piada.
Topos: As pessoas piadistas não poupam nem os amigos.
(35) Antes só do que mal acompanhado.
Topos: É preferível estar sozinho a estar acompanhado de alguém desinteressante e problemático.
(36) Antes ser invejado (do) que lastimado.
Topos: O sucesso traz a inveja, o fracasso lástima, compaixão.
(37) É melhor prevenir (do) que remediar.
Topos: Ter cautela é melhor que pagar pelo erro.
(38) É mais fácil aconselhar que ajudar.
Topos: As pessoas querem ajuda, não conselhos.
(39) É melhor uma má acomodação (do) que uma boa questão.
(40) Mais vale um mau acordo que uma boa sentença.
Topos (39 e 40): O acordo é sempre mais vantagem que o litigioso.
(41) Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
Topos: Não se deve desprezar o pouco que se tem, pela esperança de conseguir mais.
(42) Mais vale amigo na praça que dinheiro na caixa.
Topos: Verdadeiras amizades superam riqueza.
Pode-se obter a gradualidade dos provérbios acima citados. Vejamos dois exemplos atribuindo-lhes formas tópicas.
No enunciado do exemplo (35), quanto mais desagradável é a companhia, menos as pessoas querem ficar perto; quanto mais agradável é a companhia, mais as pessoas querem ficar perto. No (37) quanto mais cuidado, menos problemas; quanto menos cuidado, mais problemas.
A partir dos exemplos acima, observa-se que o valor atribuído a “A” é positivo em relação a “B”, isso ocorre devido à construção da segunda parte dos provérbios com a presença do operador comparativo “do que”.
Toda argumentação deve assentar-se na coerência interna dos argumentos, deste modo o exemplo (43) é um importante modelo de autoridade para quem já não possui mais argumentos.
(43) Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Esse exemplo possui um operador argumentativo que contrapõe os argumentos, consistindo-se na perspectiva do enunciador generalizado E1, representando um topos que direcionará E1 e E2 para conclusões contrárias. O argumento “A” leva a uma conclusão r, mas o argumento “B” é mais forte, levando a uma conclusão não-r.
Em “A”: Faça o que eu digo, tem-se a hipótese da conclusão r: Faça o que eu faço. Entretanto em “B”, com a presença do conectivo, o argumento é decisivo e mais forte em favor de não-r. Outro exemplo pode comprovar a hipótese acima:
(44) Falem mal, mas falem de mim.
Segundo Mira Mateus et alii (2003:566), o mas é a conjunção mais representativa da contra-expectativa “As conjunções adversativas ou contrajuntivas exprimem prototipicamente um contraste entre os membros coordenados” Na primeira asserção, se alguém vai falar mal, espera-se que não fale de quem está enunciando, todavia esta hipótese é contestada em prol da outra parte do provérbio, a qual possui uma contra-expectativa.
Pôde-se perceber a partir dos exemplos proverbiais citados, que se há como inferir diversas escalas graduais, para justificar o topos. Há escalas representativas de “quanto mais, mais”; “quanto menos, menos”; “quanto mais, menos”; “quanto menos, mais” e diversas variações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi visto ao longo deste estudo, a linguagem proverbial é vista como interação social do meio ao qual estamos inseridos, possuindo gratuitamente o caráter persuasivo.
Variadas estratégias são utilizadas como argumentos persuasivos, e muitas delas mesmo sendo indispensáveis para alcançar o resultado esperado pelo enunciador, não são percebidas pelos interlocutores. Ademais, os provérbios e ditos populares em geral não se referem apenas ao folclore de um povo, eles também denunciam o preconceito lingüístico, pois se mantêm vivos cada vez que são utilizados num determinado contexto, atualizando-se.
A partir da polifonia proverbial podem-se verificar as várias vozes que argumentam, inferindo aos provérbios e/ou ditos populares a força persuasiva, principalmente com a asserção negativa em que as vozes atribuem opiniões opostas, atribuindo-lhes um topos.
Ducrot (1989) revela que o problema apresentado na Teoria da Argumentação é que “as possibilidades de argumentação não dependem somente de enunciados tomados por argumentos e conclusões, mas também dos princípios dos quais se serve para colocá-los em relação”. (Ducrot, 1989: 21)
Tais princípios mencionados por Ducrot (1989) referem-se ao senso comum, a crenças compreendidas numa mesma sociedade. Desse modo, o caminho percorrido da argumentação à conclusão é feito, como se intencionou mostrar, através do topos.


PROVÉRBIO ILUSTRADO
BEIJOCAS
SAS




Reforma Ortográfica







A Nova Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa ainda está deixando muita gente com dúvida.
Algumas mudanças são significativas, outras, nem tanto.
A melhor maneira de aprender a nova ortografia é praticando e se informando.


Por isso, escolhi alguns textos para você, obter explicações e também se divertir aprendendo.
"JAMAIS TREMA EM CIMA DA LINGUIÇA!!!"

Reforma Ortográfica

Não costumo fazer poesia, tampouco de caráter concretista, mas vezenquando dou uma rabiscada nalguma. A que posto a seguir é sobre uma das mudanças que mais me irritaram na reforma ortográfica: a retirada do acento diferencial, que era utilizado para distinguir palavras homófonas:Poema Concreto - Reforma Ortográfica
E assim como não costumo escrever poesia, também não costumo gostar do resultado da maioria delas. Essa, porém, é uma das poucas exceções que tenho por aqui.






Revolta das Palavras Com a Nova Reforma Ortográfica

'Chegou a reforma da ortografia ...
Para facilitar a Gramática ...
Tirando toda a agonia ...
De uma forma lunática !

Mas esta reforma sem volta ...
Gerou confusão e revolta ...
No mundo das letras encantadas ...
Que ficaram muito assustadas !

Para resolverem um problema ...
Mataram o inofensivo trema !
Só porque ele virava um bicho chocante ...
Para muitos preguiçosos estudantes !

Assim com a força de um poema ...
Surgiu o movimento dos sem trema :
Lingüiça , cinqüenta , freqüência ,
Argüição ,  pingüim e eloqüência !

Nos ônibus dos ditongos ,
Que não são nada mongos ,
Tiraram todos os assentos ...
Sem penas e sem sentimentos !

Hífens foram retirados de palavras puras ...
Com brigas cruéis e muito duras !

Os hiatos “oo” e “ee “ perderam os chapéus ,
Que foram para o Reino do Beleléu !
Para serem vendidos em algum brechó ...
Toda esta situação é de dar dó  !

Hífens foram retirados de palavras puras ...
Com discussões cruéis e muito duras !

Chegou a reforma da ortografia ...
Para facilitar a Gramática ...
Tirando toda a agonia ...
De uma forma lunática .'
                                                Luciana do Rocio Mallon

REFORMA ORTOGRÁFICA – DICAS FÁCEIS:

ALFABETO

- Nova regra
O alfabeto é agora formado por 26 letras.

- Como era
O K, o W e o Y não eram consideradas letras do nosso alfabeto.

- Como fica
Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras    e seus derivados: kg, watt, megabyte, taylorista.

TREMA

- Nova Regra
Não existe mais o trema, a não ser em casos de nomes próprios e seus derivados:
Bündchen, Müller, mülleriano.

- Como era
agüentar, argüição, bilíngüe, cinqüenta, conseqüência, delinqüir, eloqüência, freqüência, freqüente, lingüiça , lingüista, pingüim, qüinqüênio, tranqüilo

- Como fica
aguentar, arguição, bilíngue, cinquenta, consequência, delinquir, eloquência, frequência, frequente, linguiça, linguista, pinguim, quinquênio, tranquilo

Obs.:
Como a reforma só modifica a comunicação escrita (e não a falada), cabe a cada um de nós saber quando não pronunciar o “u” (exemplos: foguete, guitarra, queijo) e quando pronunciá-lo (veja exemplos acima), pois não cabe mais o uso do trema para diferenciá-los.

ACENTUAÇÃO

- Nova Regra
Os ditongos abertos “ei” e “oi” não são mais acentuados em palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

- Como era
assembléia, bóia, colméia, geléia, idéia, platéia, boléia, panacéia, hebréia, paranóia, jibóia, heróico, paranóico.

- Como fica
assembleia, boia, colmeia, geleia, ideia, plateia, boleia, panaceia, hebreia, paranoia, jiboia, heroico, paranoico.

Obs.:
Nas palavras oxítonas e monossilábicas o acento continua para os ditongos abertos “ei” e “oi”. (assim como “eu”): anéis, papéis, constrói, herói, dói, rói, céu, chapéu.

- Nova Regra
Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no “i” e no “u” tônicos quando
vierem depois de um ditongo.
- Como era
baiúca, bocaiúva, cauíla, feiúra.

- Como fica
baiuca, bocaiuva, cauila, feiura.

Obs:
Se a palavra for oxítona e o “i” ou o “u” estiverem em posição final (seguidos ou não de s), o acento permanece: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

- Nova Regra
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas (as que possuem a mesma escrita e pronúncia).

- Como era
pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (fruta), pólo (substantivo), côa (verbo coar)

- Como fica
para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (fruta), polo (substantivo), coa (verbo coar).

Obs.1:
O acento diferencial ainda permanece no verbo “pôr” (para diferenciar da preposição “por”) e na forma verbal “pôde” (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo do verbo poder) para diferenciar de “pode” (Presente do Indicativo do mesmo verbo).

Obs.2:
Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos “ter” e “vir”, assim como de seus derivados. ele tem / eles têm; ela vem / elas vêm; você retém / vocês retêm.

Obs.3:
É facultativo o uso do acento circunflexo na forma verbal “dêmos” (presente do subjuntivo) para diferenciar de “demos” (pretérito perfeito do indicativo), assim como é facultativo para diferenciar as palavras forma/fôrma: Em muitos casos convém usar: Qual é a forma da fôrma do bolo?

- Nova Regra
Não se acentua mais a letra “u” nas formas verbais gue, que, gui, qui.

-Como era
argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, obliqúe.

- Como fica
argui, apazigue,averigue, enxague, oblique.

- Nova Regra
Os hiatos “oo” e “ee” não são mais acentuados.

-Como era
abençôo, enjôo, perdôo, vôo, corôo, côo, môo, povôo, lêem, dêem, crêem, vêem, descrêem, relêem, revêem.

- Como fica
abençoo, enjoo, perdoo, voo, coroo, coo, moo, povoo, leem, deem, creem, veem, descreem, releem, reveem.

- Nova Regra
É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, na primeira pessoa do plural (nós), para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo.

-Como era
Nós amamos, louvamos, falamos, dizemos, guerreamos (pretérito perfeito do indicativo).

- Como fica
Nós amamos/amámos, louvamos/louvámos, falamos/falámos, dizemos/dizémos, guerreamos/guerreámos (pretérito perfeito do indicativo)

Atenção:
Continue não acentuando demos (pretérito perfeito do verbo dar).

- Nova Regra
Levam acento agudo ou circunflexo as palavras proparoxítonas cujas vogais tônicas estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais “m” ou “n”.

-Como era
acadêmico, anatômico, cênico, cômodo, econômico, fenômeno, gênero, topônimo, tônico.

- Como fica
académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, económico/econômico, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo, tónico/tônico.

- Nova Regra
Da mesma forma, recebem o acento agudo ou circunflexo as palavras paroxítonas terminadas em ditongo quando as vogais tônicas são seguidas das consoantes nasais “m” ou “n”.

-Como era
Amazônia, Antônio, blasfêmia, fêmea, gêmeo, gênio, tênue, patrimônio, matrimônio.

- Como fica
Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia, fémea/fêmea,gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue, património/patrimônio, matrimónio/matrimônio.

Obs.:
Para os dois últimos casos, o que ocorrerá, na prática, é o uso do acento circunflexo pelos brasileiros, e do agudo pelos lusitanos, como ocorria antes do Acordo.

HIFENIZAÇÃO

- Nova Regra
HIFEN – RR e SS:
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixo terminado em vogal + palavra iniciada por “r” ou “s”, sendo que essas letras devem ser dobradas.

- Como era
ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal.

- Como fica
antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal

Obs:
Nos prefixos sub, hiper, inter e super, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada por “h” ou “r”: sub-hepático, hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, hiper-história, super-homem, inter-hospitalar.

- Nova Regra
HIFEN – MESMA VOGAL: Agora se utiliza hífen quando a palavra é formada por um
prefixo terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.

-Como era
microondas, microônibus, antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista,
arquiinimigo, microorgânico.

- Como fica
micro-ondas, micro-ônibus, anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, antiimperialista, arqui-inimigo, microorgânico.

Obs:
A exceção é o prefixo “co”, que permanece sem hífen: cooperação, coobrigar, coordenar.


- Nova Regra
HIFEN – VOGAL DIFERENTE: Não se utiliza mais o hífen em palavras formadas por um prefixo terminado em vogal + palavra iniciada por outra vogal.

- Como era
auto-afirmação, auto-ajuda, autoaprendizagem, auto-escola, autoestrada, auto-instrução, contraexemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intraocular, intra-uterino, neoexpressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semiautomático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular,
ultra-elevado.

- Como fica
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução,
contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.

Obs:
Esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por “h”: anti-herói, anti-higiênico, extrahumano, semi-herbáceo etc.

- Nova Regra
Não se usa mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição.

- Como era
manda-chuva, pára-quedas, páraquedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque.

- Como fica
mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque.

Obs:
O uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constituem unidade sintagmática e semântica, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: beija-flor, couve-flor, erva-doce, ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, mal-me-quer, bem-te-vi etc.

OBSERVAÇÕE S GERAI S SOBRE O HÍFEN

- O uso do hífen permanece
Em palavras formadas com prefixos “pré”, “pró”, “pós” (quando acentuadas graficamente), “ex” (no sentido de “já foi”), “vice”, “soto”, “sota”, “além”, “aquém”, “recém” e “sem”.

- Exemplos
pré-natal, pró-europeu, pós-graduação, ex-presidente, vice-prefeito, soto-mestre, além-mar, aquém-oceano, recém-nascido, sem-teto.

- O uso do hífen permanece
Em palavras formadas por “circum” e “pan” + palavras iniciadas em VOGAL, H, M ou N.

- Exemplos
pan-americano, circum-navegação, circum-murado, circum-hospitalar.

- O uso do hífen permanece
Com os sufixos de origem tupi-guarani “açu", “guaçu” e “mirim”, que representam formas adjetivas.

- Exemplos
amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

ATENÇÃO: Ainda há casos controversos não citados no Acordo que dependerão de orientação da Academia Brasileira de Letras (ABL): Sub-bibliotecário ou subibliotecário? Coabitar ou co-habitar?...

O QUE REPRE S ENTAM AS MUDANÇAS NA LÍNGUA PORTUGUE SA

1) SIMPLIFICAÇÃO E UNIFICAÇÃO:
As novas regras representam uniformidade de uso na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor Leste (total de oito países).

2) VANTAGEM ECONÔMICA (ou ECONÓMICA):
Um livro escrito em um desses países lusófonos pode ser comercializado em outro sem necessidade de revisão e reimpressão. Também facilita a redação de documentos oficiais entre esses países.

3) VANTAGEM POLÍTICA:
Com a implantação do Acordo, espera-se que a língua portuguesa seja reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) como uma língua de padrão internacional, pois entre as línguas mais faladas no mundo, a portuguesa é a única que não é unificada. A Língua Portuguesa é considerada a quinta língua mais utilizada no planeta (240 milhões de pessoas, das quais 190 milhões são brasileiras).

4) LINGUAGEM FALADA x LINGUAGEM ESCRITA:
O Acordo é meramente ortográfico e, portanto, não afeta a língua falada.

5) PALAVRAS ALCANÇADAS PELA REFORMA:
Estima-se que a reforma afete entre 0,5 a 2% das palavras da língua portuguesa. A mudança em Portugal será maior, pois no Brasil as últimas reformas ocorreram em 1943 e 1971, enquanto em Portugal a última aconteceu em 1945 e, com isso, muitas diferenças continuaram.

6) PONTOS CONTROVERTIDOS:
Ainda há alguns pontos controvertidos, principalmente em relação ao emprego do hífen, que o Acordo não esclarece.

7) FASE DE TRANSIÇÃO:
Até dezembro de 2012, os concursos públicos, as provas escolares e vestibulares deverão considerar como corretas as duas formas ortográficas da língua: a antiga e a nova.

8) LIVROS DIDÁTICOS:
O acordo entrou em vigor em janeiro de 2009, mas será introduzido obrigatoriamente nos livros escolares a partir de 2010.

9) DISPOSITIVO LEGAL:
No Brasil, o Acordo foi promulgado pelo Decreto 6583, de 29/09/2008, mas foi inicialmente redigido no ano de 1990, em Lisboa. Somente agora, entretanto, o Acordo é finalmente implementado..

FONTE:
Prof. Nelson Guerra, disponível em www.folhadirigida.com.br.



Publicado no site: O Melhor da Web em 27/01/2009 











Vejamos:
- Em meios de comunicação tais como livros, revistas e outros periódicos, percebe-se que há uma elevada demanda por substituições em função da defasagem ortográfica, ou seja, os custos se elevam apenas para o enquadramento no conceito de “padronização do idioma português junto aos organismos internacionais”;
- Muitas pessoas estão aprendendo as novas palavras na escola e depois acabam evitando se debruçar sobre livros não atualizados das bibliotecas, ou seja, um prejuízo didático para quem quer se aproximar da norma culta da gramática. É difícil imaginar que desse modo os povos que falam a língua portuguesa vão estreitar seus laços;
- Se eu e a maioria dos cidadãos comuns já errávamos inúmeras grafias de palavras (com a criatividade tupiniquim é claro), a partir de 2012, quando a nova ortografia passará a ser obrigatória nós vamos proporcionar um espetáculo da feiúra escrita. Ops... feiura escrita.




Mudanças no alfabeto

O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser:

A B C D E F G H I J
K L M N O P Q R S
T U V W X Y Z
As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações. Por exemplo:
  • na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt);
  • na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano.

Trema

Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.
Como eraComo fica
agüentaraguentar
argüirarguir
bilíngüebilíngue
cinqüentacinquenta
delinqüentedelinquente
eloqüenteeloquente
ensangüentadoensanguentado
eqüestreequestre
freqüentefrequente
lingüetalingueta
lingüiçalinguiça
qüinqüênioquinquênio
sagüisagui
seqüênciasequência
seqüestrosequestro
tranqüilotranquilo
Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos: Müller, mülleriano.

Mudanças nas regras de acentuação

1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).
Como eraComo fica
alcalóidealcaloide
alcatéiaalcateia
andróideandroide
apóia(verbo apoiar)apoia
apóio(verbo apoiar)apoio
asteróideasteroide
bóiaboia
celulóideceluloide
clarabóiaclaraboia
colméiacolmeia
CoréiaCoreia
debilóidedebiloide
epopéiaepopeia
estóicoestoico
estréiaestreia
estréio (verbo estrear)estreio
geléiageleia
heróicoheroico
idéiaideia
jibóiajiboia
jóiajoia
odisséiaodisseia
paranóiaparanoia
paranóicoparanoico
platéiaplateia
tramóiatramoia
Atenção:
essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em éis eói(s). Exemplos: papéis, herói, heróis, dói (verbo doer), sóis etc.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.
Como eraComo fica
baiúcabaiuca
bocaiúvabocaiuva*
cauílacauila**
*  bacaiuva = certo tipo de palmeira
**cauila = avarento
Atenção:
  • se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos des), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí;
  • se o i ou o u forem precedidos de ditongo crescente, o acento permanece. Exemplos: guaíba, Guaíra.
3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).
Como eraComo fica
abençôoabençoo
crêem (verbo crer)creem
dêem (verbo dar)deem
dôo (verbo doar)doo
enjôoenjoo
lêem (verbo ler)leem
magôo (verbo magoar)magoo
perdôo (verbo perdoar)perdoo
povôo (verbo povoar)povoo
vêem (verbo ver)veem
vôosvoos
zôozoo
4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
Como eraComo fica
Ele pára o carro.Ele para o carro.
Ele foi ao pólo Norte.Ele foi ao polo Norte.
Ele gosta de jogar pólo.Ele gosta de jogar polo.
Esse gato tem pêlos brancos.Esse gato tem pelos brancos.
Comi uma pêra.Comi uma pera.
Atenção:
- Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

- Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
- Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos:
Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.

- É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.
6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo. Veja:
  • se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.
    Exemplos:
    verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.
    verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.
  • se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.
    Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras):
    verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.
    verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e itônicos.

Uso do hífen com compostos

1. Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam elementos de ligação. Exemplos: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, porta-malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca.
*Exceções: Não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como
girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, paraquedismo.

2. Usa-se o hífen em compostos que têm palavras iguais ou quase iguais, sem elementos de ligação. Exemplos: reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum, tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu, rom-rom, pingue-pongue, zigue-zague, esconde-esconde, pega-pega, corre-corre.
3. Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de ligação. Exemplos: pé de moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa de força, cara de pau, olho de sogra.
Incluem-se nesse caso os compostos de base oracional. Exemplos: maria vai com as outras, leva e traz, diz que diz que, deus me livre, deus nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de sete cabeças, faz de conta.
* Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
4. Usa-se o hífen nos compostos entre cujos elementos há o emprego do apóstrofo. Exemplos: gota-d'água, pé-d'água.
5. Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação. Exemplos:
Belo Horizonte - belo-horizontino

Porto Alegre - porto-alegrense
Mato Grosso do Sul - mato-grossense-do-sul
Rio Grande do Norte - rio-grandense-do-norte
África do Sul - sul-africano
6. Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação. Exemplos: bem-te-vi, peixe-espada, peixe-do-paraíso, mico-leão-dourado, andorinha-da-serra, lebre-da-patagônia, erva-doce, ervilha-de-cheiro, pimenta-do-reino, peroba-do-campo, cravo-da-índia.
Obs.: não se usa o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados fora de seu sentido original. Observe a diferença de sentido entre os pares:
a) bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) - bico de papagaio(deformação nas vértebras).
b) olho-de-boi (espécie de peixe) - olho de boi (espécie de selo postal).Uso do hífen com prefixos

As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos (anti, super, ultra, sub etc.) ou por elementos que podem funcionar como prefixos (aero, agro, auto, eletro, geo, hidro, macro, micro, mini, multi, neo etc.).
Casos gerais
1. Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos:
anti-higiênico
anti-histórico
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano

2. Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra. Exemplos:
micro-ondas
anti-inflacionário
sub-bibliotecário
inter-regional

3. Não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra diferente daquela com que se inicia a outra palavra. Exemplos:
autoescola
antiaéreo
intermunicipal
supersônico
superinteressante
agroindustrial
aeroespacial
semicírculo

* Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por r ou s, dobram-se essas letras. Exemplos:
minissaia
antirracismo
ultrassom
semirreta

Casos particulares
1. Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada porr. Exemplos:
sub-região
sub-reitor
sub-regional
sob-roda

2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, ne vogal. Exemplos:
circum-murado
circum-navegação
pan-americano

3. Usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, vice. Exemplos:
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra
vice-rei

4. O prefixo co junta-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia poro ou h. Neste último caso, corta-se o h. Se a palavra seguinte começar com r ou s, dobram-se essas letras. Exemplos:
coobrigação
coedição
coeducar
cofundador
coabitação
coerdeiro
corréu
corresponsável
cosseno

5. Com os prefixos pre e re, não se usa o hífen, mesmo diante de palavras começadas por e. Exemplos:
preexistente
preelaborar
reescrever
reedição

6. Na formação de palavras com ab, ob e ad, usa-se o hífen diante de palavra começada por b, d ou r. Exemplos:
ad-digital
ad-renal
ob-rogar
ab-rogar

Outros casos do uso do hífen
1. Não se usa o hífen na formação de palavras com não e quase. Exemplos:
(acordo de) não agressão
(isto é um) quase delito

2. Com mal*, usa-se o hífen quando a palavra seguinte começar por vogal, h ou l. Exemplos:
mal-entendido
mal-estar
mal-humorado
mal-limpo

* Quando mal significa doença, usa-se o hífen se não houver elemento de ligação. Exemplo: mal-francês. Se houver elemento de ligação, escreve-se sem o hífen. Exemplos: mal de lázaro, mal de sete dias.
3. Usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como açu, guaçu, mirim. Exemplos:
capim-açu
amoré-guaçu
anajá-mirim

4. Usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos:
ponte Rio-Niterói
eixo Rio-São Paulo

5. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos:
Na cidade, conta-
-se que ele foi viajar.

O diretor foi receber os ex-
-alunos.



"O tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que tem medo. Muito longo para os que lamentam. Muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eterno." William Shakespeare

 

RESUMO DA

REFORMA ORTOGRÁFICA

O que muda no Brasil

No Brasil 0,5% das palavras sofrerão modificações. Estas alterações incidem, nomeadamente, na eliminação dos acentos em terminações "-eia" e "-oo" (ex.: assembleiaideiaeuropeiaenjoovoo, em vez das atuaisassembléiaidéiaeuropéiaenjôovôo, seguindo-se o uso de Portugal); e na completa eliminação do trema (ex.: frequêncialinguiça, em vez das atuais freqüêncialingüiça, tal como é prática em Portugal desde 1945).
Norma atual (br)Acordo ortográfico
lingüiçalinguiça
seqüênciasequência
freqüênciafrequência
qüinqüênioquinquênio
assembléiaassembleia
idéiaideia
européiaeuropeia
abençôoabençoo
enjôoenjoo
vôovoo

O que muda em Portugal e nos restantes países lusófonos

Em Portugal e nos restantes países lusófonos que não o Brasil, as mudanças afectarão cerca de 2.600 palavras, ou seja, 1,6% do vocabulário total. As alterações mais significativas encontram-se na eliminação das consoantes que não são pronunciadas (ex.: açãodidáticoótimobatismo em vez de acçãodidáctico,óptimobaptismo, seguindo-se o que o Brasil já pratica há décadas).
Norma actual (pt)Acordo ortográfico
acçãoação
didácticodidático
direcçãodireção
eléctricoelétrico
óptimoótimo

O que muda em todos os países

Para além disso, simplificam-se as regras do hífen, suprimem-se alguns acentos (ex.: leemdeempara (do verbo parar), pelo (pilosidade), polo (como em Polo Norte) em vez de dêemlêempárapêlopólo) e, de forma a contemplar as diferenças fonéticas existentes, aceitam-se duplas grafias em algumas palavras (ex.:António/Antôniofacto/fatosecção/seção).
Os acentos agudos nas paroxítonas que têm "oi" na sílaba tônica são abolidos, assim: apóio, jóia, heróico, passam a apoio, joia, heroico.
Exemplos de eliminação de hífen:
Norma actualAcordo ortográfico
contra-regracontrarregra
extra-escolarextraescolar
anti-semitaantissemita
anti-religiosoantirreligioso
Exemplos de introdução de hífen:
Norma actualAcordo ortográfico
microondasmicro-ondas
arquiinimigoarqui-inimigo

Exemplo de frases escritas respeitando a norma vigente em Portugal (aamarelo as palavras que sofrerão alterações pela nova norma)As mesmas frases redigidas respeitando a norma vigente no Brasil (a amarelo as palavras que sofrerão alterações pela nova norma)Frases redigidas observando a norma proposta pelo Acordo de 1990 (a amarelo as palavras que terão duas grafias possíveis, ambas válidas)
De facto, o português éactualmente a terceira língua europeia mais falada do mundo.De fato, o português é atualmente a terceira língua européia mais falada do mundo.De facto/fato, o português é atualmente a terceira língua europeia mais falada do mundo.
Não é preciso ser génio para saber que o aspectoeconómico pesa muito naprojecção internacional de qualquer língua.Não é preciso ser gênio para saber que o aspecto econômico pesa muito na projeção internacional de qualquer língua.Não é preciso ser génio/gêniopara saber que o aspeto/aspectoeconómico/econômico pesa muito na projeção internacional de qualquer língua.
Não há nada melhor do que sair sem direcção, rumando para Norte ou para Sul, para passar um fim-de-semanatranquilo em pleno Agosto.Não há nada melhor do que sair sem direção, rumando para norte ou para sul, para passar um fim de semanatranqüilo em pleno agosto.Não há nada melhor do que sair sem direção, rumando para norte ou para sul, para passar um fim de semana tranquilo em pleno agosto.
Dizem que é uma sensação incrível saltar de pára-quedaspela primeira vez em pleno voo.Dizem que é uma sensação incrível saltar de pára-quedas pela primeira vez em pleno vôo.Dizem que é uma sensação incrível saltar de paraquedas pela primeira vez em pleno voo.

Novo alfabeto

Agora as letras "k", "w" e "y" passam a ser oficialmente incorporadas ao alfabeto da língua portuguesa. Os dicionários já registram essas letras; os países africanos possuem muitas palavras escritas com elas. Assim, o alfabeto da língua portuguesa passa a ser formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:
a A (á)n N (ene)
b B (bê)o O (o)
c C (cê)p P (pê)
d D (dê)q Q (quê)
e E (é)r R (erre)
f F (efe)s S (esse)
g G (gê ou guê)t T (tê)
h H (agá)u U (u)
i I (i)v V (vê)
j J (jota)w W (dâblio)
k K (capa ou cá)x X (xis)
l L (ele)y Y (ípsilon/ípslon)
m M (eme)z Z (zê)



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